Será possível um dia “baixar” memórias de um cérebro morto para um computador?

Renê Fraga
3 min de leitura

Imagine poder assistir às lembranças de alguém que já se foi, como se fossem vídeos armazenados em um computador. Parece coisa de ficção científica, certo? Mas e se a ciência estiver mais perto disso do que imaginamos?

Um estudo recente levantou uma questão intrigante: será possível, no futuro, extrair memórias de um cérebro preservado e transferi-las para uma máquina? Neurocientistas foram consultados, e as respostas são… bem controversas.

A Ciência por Trás das Memórias “Baixáveis”

A maioria dos especialistas concorda que “uploadar” uma mente inteira para um computador ainda é algo distante, quase mágico. No entanto, a ideia de registrar memórias específicas e reproduzi-las digitalmente pode não ser tão absurda assim.

O estudo revelou que:

  • 40% dos neurocientistas acreditam que, um dia, será possível emular um cérebro humano artificialmente.
  • 70% defendem que as memórias têm uma base física no cérebro – ou seja, não são apenas “algo abstrato”, mas sim algo que poderia, em tese, ser mapeado.

Mas aqui está o problema: ninguém sabe exatamente como fazer isso.

Os pesquisadores admitem que ainda não há consenso sobre qual parte do cérebro guarda as memórias ou como transformá-las em dados digitais. É como tentar decifrar um código sem saber onde ele está escrito.

Preservar um Cérebro para “Ler” no Futuro?

Outra pergunta feita no estudo foi: será que, com a tecnologia atual, já podemos preservar um cérebro de forma que suas memórias sejam extraídas depois? Quase metade dos neurocientistas (40%) acha que sim – e esse número pode aumentar conforme a tecnologia avança.

Ariel Zeleznikow-Johnston, líder da pesquisa, disse ao IFL Science:
“É uma parcela significativa de cientistas que acredita nessa possibilidade. E, com o avanço de implantes cerebrais e simulações, esse número só tende a crescer.”

E aí, Devemos Mesmo Fazer Isso?

Agora, vamos ao dilema ético: se um dia for possível reviver as memórias de alguém após sua morte, isso seria incrível… ou assustador?

Por um lado, imagine poder “conversar” com um ente querido através de suas lembranças. Por outro, seria a maior invasão de privacidade possível – suas experiências mais íntimas, expostas como arquivos num HD.

Além disso, quem teria acesso a esses dados? Governos? Empresas? Herdeiros? As implicações são enormes.

O Que Esperar do Futuro?

Por enquanto, a tecnologia ainda está engatinhando, mas o debate já começou. Se um dia conseguirmos decifrar e reproduzir memórias humanas, será uma revolução na forma como lidamos com a vida, a morte e a própria identidade.

E você, o que acha? Seria incrível ou aterrorizante “assistir” às memórias de alguém depois que ela se foi? Conta pra gente nos comentários!

Seguir:
Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
Nenhum comentário