🛰️ Principais destaques:
- Mais de 11 mil satélites já orbitam a Terra — e esse número deve crescer muito nos próximos anos.
- A ESA (Agência Espacial Europeia) criou o projeto CREAM, um sistema inteligente para evitar colisões entre satélites e detritos espaciais.
- O CREAM pode se tornar a base de um “código de trânsito do espaço”, garantindo mais segurança para o futuro da exploração espacial.
O desafio de organizar o “trânsito” no espaço
O espaço próximo à Terra está ficando cada vez mais lotado.
Hoje, já circulam em nossa órbita mais de 11 mil satélites ativos, mas esse número deve crescer exponencialmente com os novos lançamentos de grandes constelações de satélites.
Além disso, há um problema ainda mais assustador: mais de 1,2 milhão de pedaços de lixo espacial maiores que 1 cm viajando a velocidades altíssimas.
Cada um deles pode causar grandes danos em caso de colisão. Ou seja, o risco de engarrafamentos e acidentes cósmicos nunca foi tão real.
Para lidar com esse novo cenário, a ESA deu início ao projeto CREAM — Collision Risk Estimation and Automated Mitigation (em português, Estimativa de Risco de Colisão e Mitigação Automatizada).
Ele promete trazer uma verdadeira revolução na forma como cuidamos do “trânsito orbital”.
Uma solução automatizada para um problema crescente
Até hoje, evitar colisões no espaço era uma tarefa lenta, manual e bastante complicada.
Operadores de satélite precisavam analisar ameaças, planejar manobras de correção e entrar em contato com outras equipes para coordenar cada passo. Isso tornava o processo demorado e, muitas vezes, disperso.
Com o CREAM, boa parte desse trabalho passa a ser feito automaticamente. O sistema é capaz de:
- Analisar riscos de colisão em tempo real.
- Planejar manobras de desvio de forma inteligente.
- Facilitar a comunicação entre diferentes operadores de satélites.
Isso significa menos falsos alarmes, respostas mais rápidas e maior segurança para missões espaciais.
Conectando a comunidade espacial global
Um dos pontos mais inovadores do projeto é sua capacidade de criar uma rede conectada de confiança, envolvendo operadores de satélites, agências de segurança espacial, reguladores e até observadores independentes.
Essa rede traz agilidade e transparência nos casos mais críticos — por exemplo, quando dois satélites ativos estão prestes a colidir.
Em situações assim, o CREAM pode, inclusive, negociar acordos de manobra automaticamente, com pouca interferência humana.
Se surgir algum conflito, o próprio sistema pode acionar uma espécie de “mediação imparcial”, ajudando a decidir o melhor caminho sem prejudicar ninguém.
Essa lógica aproxima o futuro de um código de trânsito do espaço, algo que até agora parecia distante.
Testes no solo e os próximos passos no espaço
O CREAM começou em 2020 e já alcançou um marco importante. Sob a liderança da empresa GMV, e com apoio de parceiros como a Guardtime, seus principais blocos tecnológicos foram reunidos em uma plataforma única.
Hoje, em fase de protótipo, o sistema já emite alertas de colisão, sugere manobras de desvio e organiza a coordenação entre operadores.
Mas a ESA vai além: o próximo estágio inclui testes em condições reais no espaço, com “missões carona” e até mesmo uma missão dedicada para validar todas as funcionalidades do CREAM em órbita.
Um passo para a sustentabilidade espacial
Mais do que evitar acidentes imediatos, o CREAM pode ajudar a criar regras internacionais de convivência no espaço.
Porque, até agora, a definição de normas esbarra em um problema clássico: não dá para aplicar regras sem ter a tecnologia para fiscalizá-las e, por outro lado, ninguém adota tecnologia sem ter regras claras.
Integrado aos satélites, o CREAM permitiria que operadores cumprissem automaticamente boas práticas e regulamentos emergentes, ajudando a preservar o ambiente orbital.
Sua flexibilidade permitirá que as regras sejam atualizadas conforme novas necessidades surgirem.
Um futuro mais seguro além da Terra
Com o crescimento das mega constelações e o avanço da corrida espacial privada, garantir a segurança nas órbitas da Terra virou uma necessidade urgente.
O CREAM surge como uma ferramenta essencial para evitar colisões, diminuir a produção de lixo espacial e proteger nosso caminho de acesso ao universo.
Se der certo, esse projeto pode se tornar a espinha dorsal de um sistema internacional de gestão do tráfego espacial, mostrando que a colaboração, a tecnologia e a inteligência artificial podem nos ajudar a continuar explorando o cosmos sem transformá-lo em um gigantesco ferrolho de sucata.
