✨ Principais destaques:
- Astrônomos encontraram um buraco negro gigante que pode ter se formado logo após o Big Bang.
- A descoberta desafia a ideia de que buracos negros só surgem depois da morte das primeiras estrelas.
- O objeto observado parece não ter uma galáxia ao seu redor, algo nunca visto antes.
Um buraco negro que não deveria existir
Durante décadas, a ciência acreditou que os buracos negros só apareciam depois que as primeiras estrelas do universo esgotaram seu combustível e colapsaram sob sua própria gravidade.
Mas uma nova descoberta feita pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST) está virando essa ideia de cabeça para baixo.
Pesquisadores identificaram um buraco negro colossal, apelidado de QSO1, que remonta a mais de 13 bilhões de anos, quando o universo tinha apenas 700 milhões de anos de idade.
O mais intrigante? Ele parece estar praticamente sozinho, sem uma galáxia ao seu redor, algo que desafia completamente os modelos atuais de formação cósmica.
O professor Roberto Maiolino, da Universidade de Cambridge, descreveu o achado de forma impactante: “Este buraco negro está quase nu. Isso é realmente desafiador para as teorias.”
A hipótese dos buracos negros primordiais
Uma das explicações possíveis é que este seja um buraco negro primordial — um tipo teórico de buraco negro que teria surgido nos primeiros instantes após o Big Bang.
A ideia, proposta ainda nos anos 1970 por Stephen Hawking, sugere que regiões extremamente densas e quentes do universo inicial poderiam ter colapsado diretamente, formando buracos negros de diferentes tamanhos.
Se isso for confirmado, esses buracos negros teriam servido como “sementes gravitacionais”, atraindo poeira e gás que, mais tarde, dariam origem às primeiras galáxias.
Até hoje, essa hipótese era considerada quase exótica, já que nunca havia sido encontrada uma evidência tão convincente.
Outro detalhe curioso: o material ao redor de QSO1 é formado quase exclusivamente por hidrogênio e hélio, os elementos mais simples e abundantes logo após o Big Bang.
A ausência de elementos mais pesados, que só surgem dentro de estrelas, reforça a ideia de que não houve formação estelar significativa perto dele.
O que isso significa para o futuro da ciência
O buraco negro QSO1 tem uma massa estimada em 50 milhões de sóis, enquanto o material ao seu redor representa menos da metade disso.
Essa proporção é o oposto do que vemos em galáxias atuais, como a Via Láctea, onde o buraco negro central é muito menor em relação à massa da galáxia.
O que levanta uma questão fascinante: será que estamos diante de uma prova de que os buracos negros podem nascer antes mesmo das galáxias?
Se a hipótese dos buracos negros primordiais for confirmada, isso pode mudar profundamente nossa compreensão sobre as leis fundamentais da física e sobre como o universo se estruturou nos seus primeiros instantes.
Ainda assim, os cientistas pedem cautela. Como destacou o cosmólogo Andrew Pontzen, da Universidade de Durham, só com novas gerações de detectores de ondas gravitacionais, previstos para a próxima década, será possível confirmar de vez essa origem primordial.
Até lá, QSO1 permanece como um enigma cósmico que pode reescrever a história do universo.
