Asteroide Apophis poderá ser visto por quase toda a humanidade em uma aproximação histórica da Terra em 2029

Renê Fraga
7 min de leitura

Principais destaques

  • O asteroide Apophis fará sua maior aproximação da Terra em 13 de abril de 2029.
  • Cerca de 90% da população mundial poderá observar o objeto cruzando o céu a olho nu em diversas regiões.
  • A passagem permitirá que cientistas estudem de perto um dos asteroides mais conhecidos e monitorados da história.

Poucos eventos astronômicos conseguem reunir tanto interesse da comunidade científica quanto do público em geral. Em abril de 2029, isso deve acontecer quando o asteroide Apophis realizar uma aproximação extremamente rara da Terra.

O objeto, que durante anos ficou conhecido por despertar preocupações sobre um possível impacto com o nosso planeta, agora promete protagonizar um verdadeiro espetáculo celeste que poderá ser acompanhado por bilhões de pessoas.

Com aproximadamente 340 metros de diâmetro, o equivalente a mais de três campos de futebol colocados lado a lado, Apophis é considerado um asteroide de grande porte. Seu tamanho e sua trajetória fizeram dele um dos objetos espaciais mais estudados pelos astrônomos desde sua descoberta.

Embora hoje não exista risco significativo de colisão, sua passagem continuará sendo um marco para a astronomia moderna.

O encontro acontecerá em 13 de abril de 2029, quando o asteroide cruzará a vizinhança da Terra a uma distância estimada em cerca de 32 mil quilômetros da superfície do planeta. Em termos astronômicos, trata-se de uma aproximação extremamente pequena.

Para efeito de comparação, diversos satélites artificiais que utilizamos diariamente orbitam a Terra em altitudes superiores à distância que separará Apophis do nosso planeta naquele momento.

De ameaça global a um dos eventos astronômicos mais aguardados

Apophis foi descoberto em junho de 2004 por astrônomos que trabalhavam no Observatório Nacional de Kitt Peak, no estado americano do Arizona. Logo após sua identificação, cálculos preliminares chamaram a atenção da comunidade científica por apontarem uma possibilidade de aproximadamente 2,7% de colisão com a Terra em 2029.

Na época, essa era a maior probabilidade de impacto já atribuída a um asteroide conhecido. A notícia rapidamente ganhou destaque em todo o mundo e transformou Apophis em um dos corpos celestes mais famosos da história recente.

Felizmente, conforme novas observações foram realizadas ao longo dos anos, os pesquisadores conseguiram determinar sua órbita com muito mais precisão. Cada nova medição reduzia as incertezas sobre sua trajetória, até que o risco praticamente desapareceu. Atualmente, os cálculos mostram que não existe ameaça de colisão durante sua passagem de 2029, trazendo tranquilidade tanto para cientistas quanto para a população.

Mesmo sem representar perigo, Apophis continua sendo considerado um objeto potencialmente perigoso devido ao tamanho de sua órbita e ao fato de cruzar a região próxima da Terra em determinados momentos. Por isso, ele permanece sob constante monitoramento por agências espaciais e observatórios ao redor do mundo.

Um espetáculo que poderá ser acompanhado por bilhões de pessoas

O grande destaque da aproximação de 2029 é que ela não ficará restrita aos telescópios profissionais. Especialistas estimam que cerca de 90% da população mundial poderá observar Apophis durante sua passagem, dependendo das condições climáticas e da localização geográfica.

Ao contrário da maioria dos asteroides, que aparecem apenas como pequenos pontos de luz difíceis de identificar, Apophis deverá apresentar um movimento perceptível contra o fundo estrelado. Isso significa que será possível notar seu deslocamento ao longo do céu em um intervalo relativamente curto de tempo, uma característica extremamente rara para um objeto desse tipo.

Astrônomos acreditam que o evento despertará um interesse semelhante ao provocado por grandes eclipses solares ou pela passagem de cometas famosos. Clubes de astronomia, observatórios e instituições científicas já começam a planejar atividades de observação para aproveitar esse momento histórico.

Além disso, milhões de pessoas deverão acompanhar transmissões ao vivo realizadas por telescópios espalhados pelo planeta, permitindo que mesmo quem não consiga observar diretamente possa participar do evento.

Uma oportunidade científica que acontece apenas uma vez na vida

Para os pesquisadores, a passagem de Apophis representa muito mais do que um belo espetáculo no céu. Ela oferecerá uma oportunidade praticamente única para estudar um grande asteroide em detalhes sem a necessidade de enviar uma missão espacial exclusivamente para encontrá-lo.

Durante a aproximação, telescópios terrestres, radares e equipamentos instalados no espaço poderão analisar sua superfície, sua composição mineral, sua velocidade de rotação, seu formato e diversas outras características físicas. Essas informações ajudarão a compreender melhor como esses corpos se formaram nos primeiros bilhões de anos do Sistema Solar.

Outro aspecto que desperta enorme interesse é a influência da gravidade terrestre sobre o asteroide. Como Apophis passará relativamente próximo da Terra, os cientistas poderão observar se as forças gravitacionais serão capazes de alterar sua rotação, provocar pequenos deslizamentos de material em sua superfície ou até modificar levemente sua trajetória.

Segundo o cientista planetário Richard Binzel, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), a passagem permitirá que o asteroide seja visto se movendo claramente em relação às estrelas, oferecendo uma experiência visual incomum até mesmo para observadores experientes.

Além disso, os dados coletados poderão contribuir para futuras estratégias de defesa planetária. Quanto mais os pesquisadores compreenderem o comportamento de grandes asteroides durante aproximações com a Terra, mais preparados estarão para lidar com eventuais ameaças que possam surgir nas próximas décadas.

Embora Apophis não represente perigo para nosso planeta em 2029, sua visita será lembrada como um dos acontecimentos astronômicos mais importantes do século XXI.

Para bilhões de pessoas, será uma oportunidade rara de olhar para o céu e observar um visitante cósmico que, há pouco mais de vinte anos, chegou a preocupar cientistas de todo o mundo e que agora promete proporcionar um espetáculo inesquecível.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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