Principais destaques
- Dermatilomania é um transtorno psiquiátrico reconhecido oficialmente e ligado ao espectro do TOC
- A condição provoca lesões na pele devido a impulsos repetitivos difíceis de controlar
- O tratamento envolve psicoterapia e, em alguns casos, medicação e acompanhamento dermatológico
A atriz Giulia Costa revelou em entrevista que convive com dermatilomania, condição também conhecida como Transtorno de Escoriação. Segundo ela, a descoberta aconteceu após uma viagem internacional com a família, momento em que percebeu que o comportamento estava ligado ao estresse e à pressão emocional.
Giulia contou que o processo terapêutico é gradual e que lidar com ambientes estressantes é um dos maiores desafios. A recuperação, segundo ela, acontece passo a passo, com pequenas conquistas diárias.
Um transtorno reconhecido pela psiquiatria
A dermatilomania é descrita oficialmente no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o DSM-5-TR, como um transtorno relacionado ao espectro do transtorno obsessivo-compulsivo. Também aparece na Classificação Internacional de Doenças, a CID-11, dentro dos comportamentos repetitivos focados no corpo.
De acordo com o psiquiatra Roberto Ratzke, professor da Universidade Federal do Paraná**, o diagnóstico é clínico e feito a partir de entrevista detalhada com base nos critérios estabelecidos pelo manual. Para ser caracterizado como transtorno, o comportamento precisa causar prejuízo significativo na vida da pessoa, persistir por meses e resultar em lesões visíveis.
O especialista explica que muitas vezes o ato de machucar a própria pele acontece de forma automática, especialmente em momentos de tensão. O impulso surge como tentativa de aliviar o sofrimento emocional, mas acaba criando um ciclo repetitivo.
Quando a pele revela um sofrimento emocional
Apesar de se manifestar na pele, a dermatilomania não é considerada uma doença dermatológica em sua origem. Segundo a dermatologista Sarah Thé Coelho, com pós-graduação pelo Hospital Israelita Albert Einstein**, trata-se de um transtorno psiquiátrico que encontra na pele sua principal forma de expressão.
Clinicamente, são comuns feridas em diferentes estágios de cicatrização, crostas recorrentes e lesões concentradas em áreas de fácil acesso, como rosto, braços e colo. Muitas vezes, poucas espinhas resultam em múltiplas escoriações.
A médica destaca que espremer uma espinha ocasionalmente não configura o transtorno. A diferença está na recorrência, na dificuldade de controlar o impulso, no sofrimento emocional envolvido e no impacto na autoestima e na vida social.
Ansiedade, depressão e tratamento multidisciplinar
A dermatilomania raramente aparece sozinha. Ela costuma estar associada a quadros de ansiedade, depressão e até transtorno dismórfico corporal. Essa sobreposição reforça a importância de uma avaliação conjunta com psicólogo ou psiquiatra.
O tratamento mais indicado é a psicoterapia. Como o transtorno só passou a ser oficialmente reconhecido em 2013, ainda há poucos estudos amplos sobre medicamentos específicos. Em casos com depressão ou ansiedade associadas, podem ser prescritos antidepressivos como fluoxetina, sertralina e escitalopram.
Do ponto de vista dermatológico, o acompanhamento ajuda a tratar inflamações, prevenir infecções e reduzir o risco de cicatrizes permanentes.
Embora a condição possa ser crônica e apresentar períodos de recaída, especialistas ressaltam que o diagnóstico precoce e o tratamento adequado fazem diferença significativa na qualidade de vida.
