NASA quer investigar buraco misterioso na Lua em busca de cavernas subterrâneas

Renê Fraga
7 min de leitura

Principais destaques

  • Uma entrada para o subsolo lunar: a formação Marius Hills Pit pode dar acesso a uma caverna subterrânea ou a um sistema de túneis na Lua.
  • Projeto GIMLI: a NASA apoia uma iniciativa que combinará radar de penetração no solo, sensores sísmicos e medições gravitacionais para investigar o que existe abaixo da superfície.
  • Abrigo para futuros astronautas: se a existência de túneis de lava for confirmada, essas estruturas poderão ajudar a proteger bases lunares contra radiação e outros riscos ambientais.

A Lua pode esconder muito mais do que crateras e poeira. Sob sua superfície, estruturas formadas há bilhões de anos talvez ofereçam caminhos para explorar o interior do satélite e, quem sabe, instalar futuras bases humanas.

É essa possibilidade que voltou a chamar a atenção de cientistas. A NASA está apoiando um projeto para investigar uma abertura conhecida como Marius Hills Pit, uma formação que pode ser a entrada de uma extensa estrutura subterrânea.

Lunar Lava Tubes Might Make Underground Moon Cities Possible | Space
ESA - Skylight on the Moon

City-Size Lunar Lava Tube Could House Future Astronaut Residents | Live Science

🕳️ Um buraco descoberto em 2009 pode esconder muito mais

A formação Marius Hills Pit foi identificada em 2009 pela sonda lunar japonesa Kaguya, também conhecida como SELENE. Desde então, a abertura desperta o interesse de pesquisadores que tentam descobrir o que existe abaixo do terreno lunar.

As imagens obtidas a partir da órbita permitem observar parte do interior do buraco. Essa visão, porém, não é suficiente para determinar com precisão a extensão da estrutura ou confirmar a existência de uma rede de cavernas.

🔎 O que os cientistas procuram: uma possível conexão com tubos de lava, túneis naturais que se formam quando a superfície de um fluxo de lava esfria e endurece, enquanto o material quente continua escoando por dentro.

Quando a lava deixa de fluir, esses canais podem permanecer vazios. Na Lua, estruturas desse tipo poderiam conservar vestígios importantes da história vulcânica do satélite.

🚀 GIMLI: como a NASA pretende olhar debaixo da superfície

O novo projeto recebeu o nome de Geophysical Instruments for Marius Lunar Pit Investigation, ou GIMLI. A proposta é combinar diferentes técnicas geofísicas para investigar a composição e a estrutura do subsolo.

Em vez de depender exclusivamente de fotografias, os pesquisadores pretendem reunir sinais capazes de revelar características que não podem ser observadas diretamente da superfície.

As ferramentas previstas incluem:

  • Radar de penetração no solo: para investigar estruturas abaixo da superfície e identificar possíveis descontinuidades no terreno.
  • Sensores sísmicos: para analisar a propagação de ondas pelo subsolo e ajudar a identificar cavidades e diferenças entre materiais.
  • Medições gravitacionais: para procurar variações no campo gravitacional associadas à distribuição de massa abaixo da superfície.

A combinação é importante porque cada técnica oferece informações diferentes. Juntas, elas podem ajudar a construir uma visão mais completa do ambiente subterrâneo.

💡 A grande aposta: identificar um possível tubo de lava que se estenda para longe da abertura Marius Hills Pit, revelando uma estrutura que permaneceu escondida das observações convencionais.

🌑 Por que uma caverna lunar seria tão importante?

Encontrar uma caverna não seria apenas uma descoberta geológica. A estrutura também poderia ter aplicações práticas para futuras missões tripuladas.

Na superfície lunar, astronautas estão expostos a condições ambientais extremas, incluindo variações de temperatura, radiação e impactos de micrometeoritos. Uma cavidade natural poderia oferecer uma camada adicional de proteção contra parte desses riscos.

🏠 Um abrigo natural para bases lunares: em vez de construir toda a proteção de uma instalação a partir do zero, futuras missões poderiam estudar a possibilidade de aproveitar estruturas geológicas já existentes.

Isso não significa que a Marius Hills Pit esteja pronta para receber astronautas. Antes de qualquer utilização, seria necessário conhecer sua profundidade, estabilidade, geometria, acessibilidade e condições internas.

Também seria preciso determinar se o espaço subterrâneo oferece condições adequadas para equipamentos, sistemas de suporte à vida e operações humanas.

🛰️ A exploração sísmica está voltando ao radar

O projeto também tem uma conexão com a história da exploração espacial.

Than Putzig, diretor do Planetary Science Institute (PSI), destacou o interesse em retomar métodos sísmicos com fonte ativa na ciência planetária. Segundo ele, essas técnicas praticamente não são utilizadas desde os primeiros levantamentos sísmicos realizados na Lua pelos astronautas das missões Apollo.

A diferença agora está na combinação de métodos. Ao associar dados sísmicos a informações de radar e gravidade, os pesquisadores esperam ampliar a capacidade de caracterizar estruturas subterrâneas.

Essa abordagem pode ajudar a responder perguntas que imagens orbitais, sozinhas, não conseguem resolver.

🔭 O que falta descobrir?

Por enquanto, a existência de um sistema de cavernas acessível a partir da abertura continua sendo uma hipótese a investigar, não um fato confirmado.

O GIMLI pretende justamente reduzir essa incerteza, produzindo dados sobre o que existe abaixo do terreno lunar. As informações também poderão contribuir para o planejamento de futuras missões robóticas e tripuladas.

Se os pesquisadores encontrarem evidências de um tubo de lava extenso e estável, a Marius Hills Pit poderá ganhar importância estratégica na exploração lunar.

A abertura descoberta em 2009 deixaria de ser apenas uma curiosidade geológica vista do espaço para se tornar uma possível porta de entrada para um ambiente ainda pouco conhecido. A questão agora é saber o que realmente existe do outro lado.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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