Principais destaques:
- A Bíblia não afirma que eram três homens, nem que eram reis.
- O termo original usado é magi, ligado à astrologia e não à realeza.
- O encontro com Jesus provavelmente ocorreu meses depois do nascimento, em uma casa.
A cena do Natal com três reis magos ajoelhados diante do bebê Jesus em um estábulo é uma das imagens mais conhecidas do cristianismo. Ela aparece em presépios, pinturas, músicas e encenações pelo mundo inteiro.
Mas, quando o texto bíblico é analisado com atenção, muitos detalhes dessa representação tradicional começam a cair por terra.
A pergunta que surge é simples e curiosa. O que realmente sabemos sobre esses visitantes tão famosos da história do nascimento de Jesus?
Afinal, eram mesmo três?
A Bíblia nunca informa quantos visitantes foram até Jesus após seu nascimento.
A ideia de que eram três surgiu por causa dos presentes mencionados no texto bíblico: ouro, incenso e mirra. Como são três ofertas diferentes, a tradição acabou deduzindo que também eram três pessoas.
No entanto, essa é apenas uma interpretação posterior. Nada impede que fossem mais homens. Inclusive, em tradições cristãs orientais, fala-se em até doze visitantes.
O número três, portanto, não vem do texto original, mas de uma associação simbólica criada ao longo do tempo.
Quem eram os chamados “sábios”?
No texto original do Novo Testamento, escrito em grego, os visitantes são chamados de magi.
Esse termo se referia a astrólogos, especialmente ligados a antigas tradições da Pérsia e da Média, regiões onde a observação dos astros tinha grande importância religiosa e política.
Com o tempo, como astrólogos muitas vezes atuavam como conselheiros de reis, o termo passou a ser interpretado como “sábios”.
Mais tarde, tradições cristãs associaram esses homens à figura de reis, influenciadas por profecias do Antigo Testamento que falavam de governantes homenageando o Messias. Essa conexão, porém, não aparece de forma direta no relato bíblico.
O encontro não foi no estábulo
Outro ponto que costuma surpreender é o local da visita.
O texto do Evangelho de Evangelho de Mateus afirma que os magi entraram em uma casa e encontraram o menino com Maria. Não há menção a um estábulo ou a uma manjedoura nesse momento.
Além disso, o texto usa a palavra “criança”, e não “recém-nascido”. Isso indica que Jesus já tinha alguns meses de vida quando recebeu a visita.
Ou seja, a famosa cena com o bebê recém-nascido no presépio, cercado pelos magos, é uma fusão de momentos diferentes da narrativa cristã.
Tradição, símbolo e realidade
A imagem dos três reis magos no estábulo não surgiu por acaso.
Ela funciona como um símbolo poderoso, reunindo em uma única cena elementos importantes do Natal: humildade, reconhecimento e oferenda. Mesmo que não seja historicamente precisa, essa representação ajudou a transmitir a mensagem cristã ao longo dos séculos.
Entender o que o texto bíblico realmente diz não diminui o valor da tradição. Pelo contrário. Acrescenta novas camadas de significado e mostra como história, fé e cultura se entrelaçam para criar narrativas que atravessam gerações.



