Principais destaques
- Ciência fora do comum: pesquisas sobre leite de baratas, assoar o nariz e evolução do beijo estão entre os trabalhos reconhecidos.
- Cuecas viraram experimento: pesquisadores enterraram 1.000 peças de roupa íntima em mais de 25 países para estudar a saúde do solo.
- Prêmio mudou de país: pela primeira vez em 35 anos, a cerimônia saiu dos EUA e foi realizada em Zurique, na Suíça.
A ciência nem sempre começa com uma pergunta que parece importante. Às vezes, começa com uma barata, uma cueca ou alguém querendo descobrir qual é exatamente a melhor maneira de assoar o nariz.
Foi esse espírito que tomou conta da edição de 2026 do Ig Nobel, premiação que celebra pesquisas reais, inusitadas e capazes de provocar primeiro uma risada e, depois, alguma reflexão.
Dez equipes de pesquisa receberam os prêmios nesta quinta-feira, em uma cerimônia realizada em Zurique, na Suíça.
A barata também entrou para o laboratório 🪳
Entre os trabalhos reconhecidos está uma pesquisa sobre leite de barata. O tema parece saído de uma piada, mas faz parte de investigações científicas sobre propriedades e características pouco convencionais desses insetos.
O evento também homenageou Matilda Brindle e Stuart West, da Universidade de Oxford, e Catherine F. Talbot, do Florida Institute of Technology.
O trio reconstruiu a história evolutiva do beijo, transformando uma das manifestações humanas mais universais em objeto de investigação científica.
💋 Beijar também tem história evolutiva: a pesquisa tenta entender como esse comportamento surgiu e se desenvolveu ao longo do tempo.
E alguém resolveu estudar o ato de assoar o nariz 🤧
Outro trabalho premiado veio do falecido Dr. Tokuji Unno, que investigou a ciência por trás de assoar o nariz.
É o tipo de assunto cotidiano que normalmente desaparece da nossa atenção em poucos segundos. Mas, quando colocado sob o microscópio científico, até esse gesto banal pode render uma pergunta de pesquisa.
E esse é justamente um dos princípios do Ig Nobel: reconhecer trabalhos que fazem o público rir, mas que também podem fazê-lo pensar.
💡 A graça está justamente nisso: primeiro você ri da pergunta. Depois percebe que alguém realmente precisava respondê-la.
A experiência que envolveu 1.000 cuecas 👖
Talvez nenhum experimento resuma melhor o espírito da premiação do que o estudo que colocou 1.000 pares de cuecas no solo de mais de 25 países.
A intenção não era criar a maior coleção mundial de roupas íntimas enterradas.
Os pesquisadores queriam observar como os organismos presentes no solo contribuíam para a decomposição do tecido. A roupa funciona, portanto, como uma espécie de indicador biológico da atividade do solo.
🔎 Por que cuecas? O tecido oferece um material orgânico relativamente padronizado que pode ajudar os pesquisadores a observar diferenças na atividade de decomposição entre ambientes.
O resultado é uma metodologia difícil de esquecer. Afinal, poucos experimentos científicos podem ser resumidos honestamente como: “enterramos mil cuecas em vários países e esperamos para ver o que acontece”.
O Ig Nobel mudou de continente 🌍
A edição de 2026 também marcou uma mudança histórica para a premiação.
Depois de 35 anos nos Estados Unidos, a cerimônia foi realizada pela primeira vez fora do país. O evento aconteceu em um centro de convenções de Zurique, na Suíça.
A mudança ocorreu em meio a preocupações relacionadas à possibilidade de participantes conseguirem vistos para viajar aos EUA.
Segundo Marc Abrahams, editor da revista Annals of Improbable Research e mestre de cerimônias do evento, tornou-se inseguro para os convidados visitar o país durante o último ano.
A organização pretende manter a premiação na Europa nas próximas edições, alternando entre Zurique e outras cidades.
Em 2027, a festa vai para a Bélgica 🇧🇪
A próxima edição já tem endereço definido.
O Ig Nobel de 2027 será realizado em Antuérpia, na Bélgica. Não há planos imediatos para que a cerimônia volte aos Estados Unidos.
A mudança encerra uma longa tradição. As edições anteriores passaram por instituições como Harvard, MIT e Boston University.
Mas há uma coisa que aparentemente não mudou.
✈️ A tradição continua: o público ainda lançou aviõezinhos de papel em direção ao palco para marcar o início da cerimônia.
É uma das marcas mais curiosas do evento, que mantém deliberadamente um clima menos solene do que o das premiações científicas tradicionais.
O anti-Nobel continua fazendo seu trabalho 🏆
Os vencedores receberam troféus personalizados com um desenho que mistura a aparência de um cogumelo com um pé humano.
A estética combina perfeitamente com uma premiação em que pesquisas sobre baratas, cuecas, beijos e assoar o nariz podem ocupar o mesmo palco.
O Ig Nobel não pretende substituir o Nobel, e os dois eventos não têm relação entre si. O Nobel tradicional anuncia seus vencedores no início de outubro.
A diferença está justamente no tipo de pergunta que cada premiação coloca no centro das atenções.
Uma celebra as descobertas consideradas mais importantes para a humanidade. A outra lembra que a curiosidade científica também pode começar em lugares extremamente estranhos.
E talvez essa seja a parte mais interessante de tudo.
Porque, no fim, uma cueca enterrada, um copo de leite de barata ou uma investigação sobre espirros e assoar o nariz têm algo em comum com qualquer grande pesquisa: alguém precisou olhar para aquilo e pensar “e se a gente descobrir como isso funciona?”
Em 2027, os pesquisadores levam essa mesma curiosidade para Antuérpia. E, considerando o histórico da premiação, é melhor não tentar adivinhar o que estará no próximo troféu.
