Grupo corta sensores de semáforos por acreditar que são “armas de assalto” eletrônicas

Renê Fraga
6 min de leitura

Principais destaques

  • Sensores viraram alvo: dois aposentados foram filmados danificando fios ligados a sensores avançados de semáforos em Ilfracombe, na Inglaterra.
  • Teoria ganhou nome: os envolvidos fariam parte dos “Blade Runners”, grupo que associa a tecnologia dos sinais de trânsito a riscos graves à saúde.
  • Prejuízo de milhares de libras: segundo a polícia, o ataque provocou danos avaliados em milhares de libras e também criou perigo para outros usuários da via.

Semáforos costumavam ser uma das tecnologias mais discretas das cidades. Estão ali, mudam de cor e pronto.

Só que, em Ilfracombe, no condado de Devon, Inglaterra, alguns moradores passaram a enxergar algo bem diferente nos equipamentos modernos: uma suposta ameaça tecnológica.

O caso ganhou atenção depois que um vídeo gravado por um pedestre mostrou duas pessoas subindo em um poste de semáforo e cortando vários fios conectados aos sensores do equipamento.

E não era exatamente uma manutenção improvisada.

O que eles estavam tentando fazer? 🔎

As pessoas filmadas seriam um homem e uma mulher, ambos aposentados, com idades entre 60 e 70 anos. Segundo informações divulgadas após a repercussão do vídeo, os dois fariam parte de um grupo conhecido como Blade Runners.

A denominação pode soar como nome de banda ou filme de ficção científica. Nesse caso, porém, está ligada a uma comunidade de teóricos da conspiração que questiona a tecnologia instalada nos semáforos.

🚦 O alvo era a tecnologia: os equipamentos modernos conseguem detectar pedestres e ajudar a ajustar o funcionamento dos sinais conforme o fluxo de veículos.

É justamente essa camada tecnológica que o grupo contesta.

Semáforo inteligente ou “arma eletrônica”? ⚠️

Em publicações compartilhadas online, os chamados “Ilfracombe Blade Runners” afirmam que esses sistemas não seriam simplesmente ferramentas para melhorar o trânsito.

Eles descrevem os equipamentos como “armas de assalto eletrônicas”, alimentadas por uma suposta tecnologia derivada ilegalmente de sistemas usados em campos de batalha.

O grupo também afirma que essa tecnologia representaria uma “ameaça iminente à vida”.

As alegações incluem possíveis efeitos como ataques cardíacos, câncer cerebral, ansiedade e até morte súbita.

Não foram apresentados, no material fornecido, dados ou evidências que sustentem essas afirmações.

💡 A virada está justamente aí: um equipamento criado para detectar o movimento de pessoas e veículos acabou sendo interpretado por esse grupo como uma tecnologia capaz de atacar seres humanos.

E os fios? Eles não eram decorativos 💥

Segundo a polícia de Devon e Cornwall, a ação registrada em Ilfracombe não ficou apenas no campo das crenças.

O homem e a mulher foram presos sob acusações relacionadas a dano criminoso e criação de perigo para usuários da estrada.

A polícia informou que os danos provocados aos semáforos chegaram a milhares de libras.

Os dois foram posteriormente liberados sob fiança.

🧵 O detalhe importante: cortar a fiação de um sistema de controle de trânsito não afeta apenas o equipamento. O funcionamento dos sinais pode ter relação direta com a segurança de motoristas e pedestres.

Não foi um caso isolado 👀

O episódio também aparece em meio a outros relatos de semáforos danificados que estariam relacionados à mesma onda de teorias conspiratórias disseminadas na internet.

Entre as alegações atribuídas aos Blade Runners está a ideia de que a tecnologia dos sinais poderia “matar humanos quando focada em um alvo”.

Novamente, o material não apresenta evidências que comprovem essa capacidade.

A diferença entre uma teoria publicada em uma rede social e uma ação no mundo físico fica bastante clara aqui. Enquanto uma postagem pode desaparecer no fluxo infinito da internet, um fio cortado em um cruzamento continua sendo um problema bastante concreto.

Eles pretendem parar? Parece que não 🚨

A repercussão nas redes sociais trouxe críticas ao grupo, mas aparentemente não alterou sua posição.

Os Blade Runners afirmaram que não pretendem recuar e se descrevem como “not woke”, mas “fully awake”, numa tentativa de reforçar a ideia de que estariam alertas para aquilo que consideram uma ameaça.

O caso coloca uma tecnologia cotidiana no centro de uma disputa curiosa entre percepção e realidade.

Para a administração viária, sensores significam automação e controle do tráfego. Para os conspiracionistas, eles seriam parte de algo muito mais perigoso.

E, enquanto essa discussão continua na internet, os semáforos seguem tendo uma função bem menos misteriosa: dizer quando é hora de parar, esperar e seguir.

Só que agora alguns deles também ficaram sem seus sensores, e a conta dessa desconfiança chegou em milhares de libras.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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