Principais destaques
- Mercúrio está longe dessa disputa: o planeta mais próximo do Sol ainda fica muito mais distante da estrela do que alguns cometas, asteroides e sondas.
- A Parker Solar Probe bateu o recorde: a sonda da NASA foi projetada para mergulhar repetidamente na atmosfera externa do Sol, chegando a poucos milhões de quilômetros da superfície solar.
- E ela continua escapando: o desafio não é apenas chegar perto, mas sobreviver ao calor e à gravidade enquanto completa sua passagem e segue novamente para o espaço.
Mercúrio parece perto. Mas não é tanto assim ☀️
Quando pensamos em algo próximo do Sol, é quase automático imaginar Mercúrio.
O planeta mais interno do Sistema Solar orbita nossa estrela a uma distância média de aproximadamente 58 milhões de quilômetros. Só que, em escala astronômica, isso ainda está longe.
Cometas e asteroides podem seguir trajetórias muito mais radicais.
Alguns passam tão perto do Sol que praticamente mergulham em sua atmosfera externa antes de retornar ao espaço ou serem destruídos no processo.
E qual foi o mais próximo? 🚀
Entre os objetos artificiais, o recorde pertence à Parker Solar Probe, da NASA.
A sonda foi construída justamente para fazer aquilo que parece uma péssima ideia para qualquer outro equipamento espacial: chegar o mais perto possível do Sol.
Sua trajetória utiliza a gravidade de Vênus para reduzir progressivamente sua distância em relação à estrela.
🔥 O detalhe impressionante: a Parker não simplesmente passa perto uma vez. Ela realiza sucessivas aproximações do Sol, enfrentando temperaturas e condições extremas a cada passagem.
Mas como uma nave não derrete?
A Parker Solar Probe possui um enorme escudo térmico projetado para ficar voltado diretamente para o Sol.
Enquanto o lado protegido pode enfrentar temperaturas extremamente elevadas, os instrumentos ficam atrás dessa barreira, em uma região muito mais protegida.
Isso permite que a sonda atravesse a região próxima ao Sol enquanto coleta dados sobre o vento solar, o campo magnético e a atmosfera da estrela.
☀️ Chegar perto do Sol não é o maior problema. O verdadeiro desafio é chegar perto, sobreviver e conseguir sair novamente.
Cometas também fazem isso
A Parker não é a única coisa que já chegou absurdamente perto.
Existem os chamados cometas rasantes do Sol, conhecidos como sungrazers. Eles possuem órbitas que os levam extremamente próximos da estrela.
Alguns acabam completamente destruídos.
Outros conseguem sobreviver à passagem e continuam sua trajetória pelo Sistema Solar.
🔎 E existe uma diferença importante: para uma sonda, a aproximação é cuidadosamente planejada. Para um cometa, ela é simplesmente consequência de sua órbita.
Por que esses objetos não caem no Sol?
A resposta está na velocidade.
Um objeto que se aproxima do Sol está sendo acelerado pela enorme gravidade da estrela. Se possuir velocidade e trajetória adequadas, ele não cai diretamente na superfície solar.
Ele faz uma curva ao redor da estrela e continua viajando.
É parecido com o que acontece com os planetas: a Terra está constantemente sendo atraída pelo Sol, mas sua velocidade lateral faz com que ela permaneça em órbita.
Quanto mais perto o objeto chega, maior pode ser sua velocidade.
⚡ Perto do Sol, as coisas ficam absurdamente rápidas: a Parker Solar Probe se tornou também o objeto feito pelo ser humano mais veloz já registrado.
Então por que Mercúrio continua sendo tão importante?
Porque Mercúrio é um planeta em uma órbita permanente ao redor do Sol.
Sua distância mínima da estrela é muito menor que sua distância média, mas ainda assim está muito acima da região alcançada pelas sondas e pelos cometas que fazem passagens rasantes.
Isso mostra uma diferença curiosa entre morar perto do Sol e simplesmente passar perto dele.
Mercúrio faz a primeira coisa.
Cometas e sondas podem fazer a segunda de maneira muito mais extrema.
O recorde ainda pode ficar mais impressionante 🌞
A exploração do Sol está apenas começando.
A Parker Solar Probe foi concebida para estudar justamente uma região que, durante muito tempo, era praticamente inacessível: a atmosfera externa da estrela, a chamada coroa solar.
Ao se aproximar cada vez mais, a missão ajuda os cientistas a entender por que a coroa é tão quente, como o vento solar é acelerado e como surgem fenômenos capazes de afetar satélites, comunicações e redes elétricas na Terra.
No fim, a pergunta deixa de ser apenas “qual objeto chegou mais perto do Sol?”
A questão mais interessante talvez seja outra: até onde ainda conseguiremos chegar sem que uma máquina simplesmente deixe de existir?
