Quando o mundo parou… e a internet quase parou junto: 10 acontecimentos históricos que colocaram a rede no limite

Renê Fraga
9 min de leitura

Principais destaques

  • Grandes tragédias, mortes de celebridades e eventos globais já provocaram picos tão intensos de acesso que sites e serviços chegaram a sair do ar.
  • Antes da computação em nuvem, bastavam alguns milhões de pessoas procurando a mesma notícia para causar lentidão em toda a internet.
  • Muitos dos sistemas que usamos hoje foram aperfeiçoados justamente após esses episódios históricos.

Hoje parece normal pesquisar qualquer notícia em segundos, assistir a transmissões ao vivo e conversar com pessoas do outro lado do planeta sem dificuldades. Mas nem sempre foi assim. Durante boa parte da história da internet, acontecimentos inesperados colocaram à prova a infraestrutura digital do mundo inteiro.

Em alguns casos, milhões de pessoas tentaram acessar exatamente a mesma informação ao mesmo tempo. Em outros, uma falha técnica ou um evento de alcance global fez com que serviços inteiros simplesmente deixassem de funcionar. Esses momentos ficaram marcados não apenas pela importância histórica, mas também por mostrarem que a internet, apesar de parecer infinita, possui limites.

Curiosamente, vários desses episódios mudaram a forma como empresas de tecnologia constroem seus servidores, distribuem conteúdo e planejam grandes picos de audiência. Relembre alguns dos casos mais impressionantes.

1. O ataque de 11 de setembro levou milhões de pessoas aos sites de notícias

Na manhã de 11 de setembro de 2001, quando os aviões atingiram as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York, a televisão ainda era a principal fonte de informação em tempo real. Mesmo assim, milhões de pessoas recorreram imediatamente à internet para buscar atualizações, fotos e relatos.

O problema era que a infraestrutura da época estava longe de suportar uma audiência tão grande. Diversos portais de notícias, incluindo CNN, BBC e grandes jornais americanos, enfrentaram lentidão e interrupções temporárias devido ao enorme número de acessos simultâneos.

Especialistas consideram esse um dos primeiros grandes testes da internet moderna. Depois daquele dia, empresas começaram a investir pesado em data centers distribuídos e redes capazes de suportar eventos globais.

2. A morte de Michael Jackson praticamente “quebrou” a internet em 2009

Se existe um acontecimento frequentemente citado como um divisor de águas para a internet, esse foi a morte de Michael Jackson, em 25 de junho de 2009.

Quando surgiram os primeiros rumores de que o cantor havia sofrido uma parada cardíaca, milhões de pessoas correram ao Google para confirmar a informação. O volume de pesquisas foi tão anormal que os sistemas de segurança do buscador interpretaram aquele comportamento como um possível ataque automatizado e bloquearam temporariamente algumas buscas relacionadas ao artista.

O impacto não parou por aí.

O Twitter ficou instável devido ao enorme volume de mensagens. A Wikipédia recebeu quase um milhão de visitas em apenas uma hora na página do cantor, estabelecendo um recorde histórico na época. O AOL Instant Messenger saiu do ar durante cerca de 40 minutos, enquanto diversos sites de notícias ficaram indisponíveis por excesso de acessos. O episódio foi tão marcante que engenheiros da Wikimedia passaram a usar internamente a expressão “Efeito Michael Jackson” para descrever explosões repentinas de tráfego causadas por notícias de grande repercussão.

3. A eleição de Barack Obama também congestionou a internet

Em novembro de 2008, a eleição de Barack Obama como presidente dos Estados Unidos despertou interesse mundial.

Portais de notícias registraram recordes de audiência, enquanto redes sociais, ainda em expansão naquela época, receberam milhões de novos acessos em poucas horas. A Wikipédia também apontou a eleição como um dos primeiros grandes eventos capazes de provocar enormes picos de leitura em seus servidores.

Embora a internet já estivesse mais preparada do que em 2001, o evento mostrou que acontecimentos políticos também poderiam gerar sobrecarga comparável à de grandes tragédias.

4. A pandemia de Covid-19 mudou completamente o tráfego mundial

Poucos eventos alteraram tanto o comportamento da internet quanto o início da pandemia em 2020.

Com bilhões de pessoas trabalhando, estudando e se divertindo em casa, o tráfego global cresceu rapidamente. Em apenas uma semana, diversas redes registraram aumentos entre 15% e 20% no volume de dados transportados.

Para evitar congestionamentos, plataformas como Netflix, YouTube e outros serviços de streaming reduziram temporariamente a qualidade dos vídeos em diversos países.

Ao mesmo tempo, buscas relacionadas ao coronavírus explodiram no Google, enquanto a Wikipédia registrava milhões de consultas sobre sintomas, vacinas e estatísticas da doença.

5. Pokémon GO surpreendeu até o Google

Em julho de 2016, Pokémon GO virou uma febre mundial praticamente da noite para o dia.

O sucesso foi tão grande que os servidores receberam cerca de 50 vezes mais tráfego do que os desenvolvedores haviam previsto. Durante dias, jogadores enfrentaram mensagens de erro, dificuldades para entrar no aplicativo e quedas frequentes nos servidores.

O caso passou a ser usado como exemplo de lançamento bem-sucedido que ultrapassou qualquer previsão técnica.

6. A morte da rainha Elizabeth II bateu novos recordes

Quando a rainha Elizabeth II morreu, em setembro de 2022, o interesse mundial voltou a desafiar a infraestrutura da internet.

Segundo engenheiros da Wikimedia, o anúncio provocou um dos maiores picos de tráfego da história recente da enciclopédia online, superando vários eventos anteriores e causando lentidão para parte dos usuários europeus.

O volume só seria ultrapassado posteriormente pelo anúncio da eleição do novo papa.

7. A queda global do Facebook deixou o mundo “preso” fora das redes

Nem sempre é uma notícia que coloca a internet em evidência. Às vezes, é justamente a ausência dela.

Em 4 de outubro de 2021, Facebook, Instagram, WhatsApp e Messenger ficaram fora do ar durante aproximadamente seis horas após um erro interno de configuração das rotas da própria rede da empresa.

Milhões de usuários migraram imediatamente para Twitter, Telegram, Signal e Discord, que também registraram lentidão devido ao aumento repentino de acessos. O episódio entrou para a história como uma das maiores interrupções já enfrentadas pelas redes sociais.

8. Cabos submarinos também já deixaram países praticamente desconectados

Grande parte da internet mundial depende de cabos de fibra óptica instalados no fundo dos oceanos.

Quando alguns desses cabos foram rompidos em diferentes ocasiões, especialmente no Oriente Médio e no sul da Ásia, milhões de usuários enfrentaram conexões extremamente lentas durante dias.

Esses episódios mostraram como a infraestrutura física da internet continua sendo um dos seus pontos mais vulneráveis.

9. Grandes finais esportivas também desafiam os servidores

Finais de Copa do Mundo, Jogos Olímpicos e Super Bowl costumam gerar alguns dos maiores volumes de tráfego da internet.

Enquanto milhões assistem às partidas por streaming, outros tantos pesquisam estatísticas, acompanham redes sociais e acessam portais esportivos simultaneamente. Embora hoje os serviços sejam muito mais preparados, essas transmissões continuam sendo verdadeiros testes de resistência para provedores de conteúdo.

10. A internet ficou muito mais resistente, mas continua sendo testada

Hoje, tecnologias como computação em nuvem, redes de distribuição de conteúdo (CDNs), inteligência artificial para balanceamento de carga e data centers espalhados pelo planeta permitem que plataformas suportem bilhões de acessos simultâneos.

Mesmo assim, acontecimentos históricos continuam surpreendendo engenheiros. Sempre que o mundo inteiro tenta descobrir a mesma informação ao mesmo tempo, a infraestrutura digital passa por um verdadeiro teste de estresse.

A boa notícia é que, graças às lições aprendidas com eventos como o 11 de setembro, a morte de Michael Jackson e a pandemia, a internet moderna consegue resistir muito melhor do que há vinte anos. Ainda assim, basta um acontecimento de impacto mundial para lembrar que, por trás de cada clique, existe uma enorme estrutura trabalhando para manter tudo funcionando.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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