EUA autorizam testes de arma militar que provoca sensação de calor extremo na pele

Renê Fraga
6 min de leitura

Principais destaques

  • Testes na fronteira: o secretário de Defesa dos EUA autorizou o empréstimo temporário de um sistema de energia direcionada para testes próximos à fronteira sul.
  • Calor intenso sem projéteis: o Active Denial System usa ondas eletromagnéticas para provocar uma sensação de calor extremo na superfície da pele, com o objetivo de afastar e desorientar pessoas.
  • Uso ainda incerto: não está claro se a arma será empregada contra pessoas durante os testes, que podem durar pelo menos sete meses.

Imagine caminhar tranquilamente e, de repente, sentir como se sua pele estivesse sendo atingida por uma onda de calor insuportável. Não há fogo, explosão ou projétil. Ainda assim, a sensação pode ser tão intensa que você queira fugir imediatamente.

Essa é a proposta de uma tecnologia militar norte-americana conhecida informalmente como heat ray, ou raio de calor. O sistema voltou aos holofotes após receber autorização para novos testes perto da fronteira entre os Estados Unidos e o México.

🔥 Uma arma que atinge sem disparar

O equipamento é oficialmente chamado de Active Denial System (ADS), ou Sistema de Negação Ativa. Em vez de disparar munição convencional, ele utiliza energia eletromagnética de alta frequência para aquecer rapidamente a camada superficial da pele.

O objetivo é produzir uma sensação intensa de calor, levando a pessoa atingida a se afastar da área. A tecnologia foi desenvolvida para controlar distâncias e dispersar grupos sem recorrer necessariamente a armas de fogo.

Como funciona na prática: o sistema direciona ondas eletromagnéticas para uma área específica da pele. A energia é absorvida superficialmente, provocando uma sensação de queimadura que tende a levar a pessoa a interromper o avanço.

A proposta é que o efeito seja temporário e que a pessoa se afaste antes de sofrer uma lesão. Isso, porém, não significa que o equipamento seja isento de riscos.

💡 Ser classificada como uma arma não letal não significa que ela seja incapaz de causar ferimentos. A intensidade da exposição e as condições de uso são fatores importantes para a segurança.

🇺🇸 Por que testar a tecnologia na fronteira?

Segundo a reportagem publicada pelo Unexplained Mysteries em 25 de outubro de 2026, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, autorizou que o Departamento de Segurança Interna (DHS) recebesse temporariamente o equipamento.

O empréstimo deve durar pelo menos sete meses, com início em setembro.

A localização dos testes levanta a possibilidade de que o governo esteja avaliando o sistema para impedir ou desestimular travessias irregulares da fronteira. Essa finalidade, contudo, não foi confirmada como objetivo operacional definitivo.

🗣 A justificativa oficial: um porta-voz da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) afirmou que a agência avalia continuamente novas tecnologias, especialmente aquelas que possam salvar vidas e, ao mesmo tempo, ampliar a eficácia da segurança nacional.

A declaração não esclarece se o ADS será utilizado apenas em demonstrações técnicas ou se haverá testes envolvendo pessoas.

🪖 A tecnologia não é exatamente nova

Apesar da aparência futurista, o conceito já tem uma história considerável.

O sistema foi enviado ao Afeganistão no passado, mas não chegou a ser utilizado em operações naquele país. A tecnologia também esteve associada a discussões sobre o controle de protestos e a possíveis aplicações para conter travessias irregulares durante o primeiro mandato de Donald Trump.

O interesse militar está na possibilidade de criar uma barreira física sem construir muros ou recorrer imediatamente à força letal.

Ao provocar uma reação intensa sem lançar um objeto contra o alvo, o sistema oferece uma alternativa a alguns métodos tradicionais de dispersão. Mas a diferença entre afastar alguém e feri-lo depende de como a tecnologia é empregada.

⚠️ Não letal não quer dizer inofensivo

O uso de armas de energia direcionada levanta questões sobre proporcionalidade, segurança e responsabilidade, especialmente quando o alvo pode ser uma pessoa desarmada que tenta atravessar uma fronteira.

A própria finalidade de provocar desconforto intenso exige cuidados. Exposições inadequadas podem causar lesões, e o risco não pode ser descartado apenas porque o sistema foi concebido para evitar mortes.

Há também uma questão prática: em uma situação real, como garantir que todas as pessoas expostas compreendam o que está acontecendo e consigam se afastar antes de sofrer danos?

Essas preocupações ganham importância caso a tecnologia seja considerada para situações com grupos numerosos ou em ambientes nos quais as pessoas tenham dificuldade para escapar.

O próximo passo depende dos testes

Por enquanto, a autorização para disponibilizar o equipamento não comprova que ele será usado contra migrantes ou outros indivíduos na fronteira. Tampouco demonstra que o governo decidiu incorporá-lo de forma permanente às operações de segurança.

O período de testes poderá ajudar a avaliar sua utilidade operacional, mas as informações disponíveis na reportagem não esclarecem os protocolos previstos, as condições de exposição ou os critérios para uma eventual implantação.

A questão central é se uma tecnologia concebida para interromper o avanço de pessoas poderá ser empregada de maneira eficaz sem produzir danos desproporcionais. Nos próximos meses, essa diferença entre uma demonstração tecnológica e uma ferramenta efetivamente utilizada na fronteira será decisiva.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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